O julgamento
Passamos a vida a julgar. Aqui, ali ou acolá estamos sempre medindo, desdizendo mentalmente estes ou aqueles que de uma forma ou de outra nos incomoda com suas atitudes. Por que somos assim? Por que não nos libertamos deste hábito nefasto que só nos faz mal e empobrece?
Ao projetarmos psicologicamente nossos conflitos e dificuldades nos outros nos recusamos a vê-los em nós mesmos, e dependendo do grau de distorção que fazemos dos fatos para atender às nossas teorias e ir realidades, é que se inicia em nossa intimidade o processo de paranóia.
Os paranóicos relacionam qualquer acontecimento do mundo consigo mesmos, em filosofia isto é chamado de auto-referência. Contudo esta patologia desvirtua a realidade dos fatos, trazendo para o nível pessoal tudo o que ocorre à nossa volta.
Tudo que criticamos no exterior se encontra em nossa intimidade ou não seriamos capaz de reconhecer o espelho que nos reflete. Mas será que damos conta disto? Estamos cientes do que ocorre em nosso interior? Nem sempre.
Escravos de nossos hábitos repetimos os mesmos erros dia após dia, sem nos questionarmos acerca disto. Por que o fazemos? Como Niethche outrora fazia, em tudo encher gamos o caos, um tecido de pulsões cuja multiplicidade infinita e caótica é irredutível à unidade. Tornamos-nos pessimistas e descrentes do homem.
O cosmo dos gregos também se tornou uma mentira por excelência para nós, criada para tranqüilizar-nos. Niethche via o mundo como um monstro de forças, sem começo e sem fim. Um mar de forças tempestuosas. Mas não estaria ele vendo a si mesmo? Quando ele cita o espelho não estaria falando de seu próprio reflexo interno?
Todo julgamento envolve rejeição. Nunca enfatiza apenas os aspectos positivos do que está sendo julgado, seja no outro ou em nós mesmos. Contudo sempre olvidamos que os efeitos de nosso pensar não atingem só os outros, mas primeiro a nós mesmos. A tensão do julgamento debilita nosso ser e nos tira a paz. É o que queremos para nós?
No fundo das inúmeras diferenças e indissiocracias pessoais há sem dúvida um dado comum a todos nós, é a nossa essência divina e é nesta que devemos nos respaldar. Ir além das facticidades, das aparências voláteis que se esvaem com o tempo. Esta deve ser a tônica de nossas vidas. Pois assim agindo, sem dúvida jamais enlouqueceremos porque estaremos abertos para o diferente, para a sombra do outro que é um reflexo de nós. Então entenderemos que o cosmos existe com tudo o que nele há interna e externamente a nós.
Fátima Garcia Passos
Especialista em Ciência das
Religiões e Mestre em Filosofia
Ao projetarmos psicologicamente nossos conflitos e dificuldades nos outros nos recusamos a vê-los em nós mesmos, e dependendo do grau de distorção que fazemos dos fatos para atender às nossas teorias e ir realidades, é que se inicia em nossa intimidade o processo de paranóia.
Os paranóicos relacionam qualquer acontecimento do mundo consigo mesmos, em filosofia isto é chamado de auto-referência. Contudo esta patologia desvirtua a realidade dos fatos, trazendo para o nível pessoal tudo o que ocorre à nossa volta.
Tudo que criticamos no exterior se encontra em nossa intimidade ou não seriamos capaz de reconhecer o espelho que nos reflete. Mas será que damos conta disto? Estamos cientes do que ocorre em nosso interior? Nem sempre.
Escravos de nossos hábitos repetimos os mesmos erros dia após dia, sem nos questionarmos acerca disto. Por que o fazemos? Como Niethche outrora fazia, em tudo encher gamos o caos, um tecido de pulsões cuja multiplicidade infinita e caótica é irredutível à unidade. Tornamos-nos pessimistas e descrentes do homem.
O cosmo dos gregos também se tornou uma mentira por excelência para nós, criada para tranqüilizar-nos. Niethche via o mundo como um monstro de forças, sem começo e sem fim. Um mar de forças tempestuosas. Mas não estaria ele vendo a si mesmo? Quando ele cita o espelho não estaria falando de seu próprio reflexo interno?
Todo julgamento envolve rejeição. Nunca enfatiza apenas os aspectos positivos do que está sendo julgado, seja no outro ou em nós mesmos. Contudo sempre olvidamos que os efeitos de nosso pensar não atingem só os outros, mas primeiro a nós mesmos. A tensão do julgamento debilita nosso ser e nos tira a paz. É o que queremos para nós?
No fundo das inúmeras diferenças e indissiocracias pessoais há sem dúvida um dado comum a todos nós, é a nossa essência divina e é nesta que devemos nos respaldar. Ir além das facticidades, das aparências voláteis que se esvaem com o tempo. Esta deve ser a tônica de nossas vidas. Pois assim agindo, sem dúvida jamais enlouqueceremos porque estaremos abertos para o diferente, para a sombra do outro que é um reflexo de nós. Então entenderemos que o cosmos existe com tudo o que nele há interna e externamente a nós.
Fátima Garcia Passos
Especialista em Ciência das
Religiões e Mestre em Filosofia
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